‘Meu Brasil Interior’ chega a Fortaleza em Março
Exposição dá sequência à circulação nacional
A exposição ‘Meu Brasil Interior’, que celebra a trajetória da artista popular alagoana Roxinha Lisboa, desembarca em Fortaleza no próximo dia 10 de março, após ultrapassar a marca de 100 mil visitantes durante sua temporada em Recife.
Com mais de 80 obras, a mostra inicia uma nova etapa da circulação nacional, reafirmando a força da arte popular nordestina e ampliando o alcance da produção da artista pelo país.
A exposição apresenta um recorte sensível e vibrante da trajetória de Roxinha, artista autodidata que transformou memórias do sertão em narrativas visuais marcadas por cor, humor, fé e cenas do cotidiano. A passagem por Recife foi considerada simbólica por aproximar a obra da artista de um público geograficamente próximo às suas origens e por consolidar o sucesso de visitação logo nas primeiras cidades do circuito.
Do sertão às galerias
Nascida em Lagoa de Pedra, distrito de Pão de Açúcar (AL), nos anos 1950, Maria José Lisboa da Cruz, conhecida como Roxinha, construiu sua vida entre o campo e a cidade pequena. Trabalhou na roça, quebrou brita em pedreiras e atuou como gari por quase 20 anos. Aos 59, já com os filhos crescidos, começou a desenhar ao lado do marido, Domingos Lisboa, como forma de ocupar o tempo e amenizar a saudade.
O que começou como passatempo se transformou em expressão artística potente. Roxinha passou a pintar muros, pedaços de MDF e materiais encontrados nas redondezas, criando obras que traduzem memórias afetivas e observações do cotidiano sertanejo. Em poucos anos, seu trabalho ultrapassou os limites de Lagoa de Pedra e ganhou projeção nacional, consolidando seu nome como um dos destaques da arte naïf contemporânea.
Acessibilidade e inclusão
Fiel à proposta de democratização cultural, ‘Meu Brasil Interior’ oferece recursos de acessibilidade que ampliam a experiência do público. Todas as obras contam com QR Codes que direcionam a áudios de audiodescrição narrados na voz da própria Roxinha, recriada por meio de inteligência artificial. A mostra também disponibiliza fones redutores de ruído para pessoas com sensibilidade auditiva, além de ações com tradução em Libras em visitas e eventos.
Após a estreia em Fortaleza, a exposição seguirá em itinerância por outras capitais brasileiras, como Salvador, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo, levando adiante um projeto que reafirma a potência criativa do Nordeste e amplia o diálogo da arte popular com públicos de todo o país.
Foto: Brenda Alcântar
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