Rua da Cerveja transforma espaço Carioca em novo polo de gastronomia, história e cultura
Projeto traz revitalização de uma das vias mais históricas da cidade
A Rua da Carioca, no Centro do Rio de Janeiro, vem ganhando novos aromas, sabores e movimento desde 2024, quando foi criação da ‘Rua da Cerveja’, quando passou a receber microcervejarias artesanais e negócios gastronômicos, em um projeto que busca revitalizar a região, atrair turistas e gerar empregos.
No local funcionou o famoso Bar Luiz, considerado a primeira cervejaria do município, além do restaurante Zicartola, comandado por Cartola e Dona Zica, espaço que recebeu a primeira apresentação de Paulinho da Viola.
Agora, a região escreve um novo capítulo. Em setembro de 2024, a inauguração da ‘Vírus Bier’, no número 55, marcou o início da ocupação cervejeira no local, e logo depois vieram a Hidromelaria Martelo Pagão e as cervejarias Piedade, Arkan Beer, Cotovelo e Candanga.
Aos poucos, a Rua da Carioca, que no passado já foi chamada de Rua do Egito e Rua do Piolho, passa a ser reconhecida também como Rua da Cerveja.
Da indicação legislativa à revitalização urbana
A proposta surgiu a partir de uma indicação legislativa do vereador Rafael Aloisio Freitas, que sugeriu a construção de uma ‘Cidade da Cerveja’ no Rio de Janeiro. Antes disso, o parlamentar já havia aprovado um projeto de lei para facilitar a instalação de microcervejarias no município e também foi autor da legislação que permitiu a bares e restaurantes colocarem mesas e cadeiras nas calçadas, medida publicada durante a pandemia da Covid-19 e considerada essencial para a sobrevivência de muitos estabelecimentos.
A ideia da ‘Cidade da Cerveja’ foi acolhida pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, que decidiu iniciar o projeto pela Rua da Carioca, então marcada por abandono e imóveis degradados.
“Toda cidade começa com uma rua”, afirma Rafael Aloisio.
Parceria público-privada como motor do projeto
A implantação da ‘Rua da Cerveja’ também evidencia o papel da parceria entre poder público e iniciativa privada na recuperação de áreas urbanas. Para atrair empresários interessados em operar na Rua da Carioca, a Prefeitura do Rio abriu edital oferecendo até R$ 200 mil para a reforma dos imóveis e até R$ 15 mil mensais para despesas operacionais, com repasses previstos entre 30 e 48 meses.
A principal exigência do projeto é clara: a ocupação deve ser feita por microcervejarias artesanais, sem a presença de grandes marcas.
Com isso, a iniciativa busca fortalecer pequenos negócios, impulsionar a produção artesanal, movimentar o turismo e devolver vida a uma região histórica do Centro do Rio.
Vírus Bier leva produção para a Rua da Cerveja
Entre os projetos contemplados está a Vírus Bier, comandada por Luiz Oliveira. A marca produz cerveja desde 2018 e começou atuando como cervejaria cigana, utilizando a capacidade ociosa da cervejaria Piedade. Depois, passou a fabricar em espaço próprio no bairro da Praça da Bandeira.
Com a chegada à ‘Rua da Cerveja’, a operação ganhou uma nova fase.
“Hoje toda a nossa produção está aqui, na Rua da Cerveja”, afirma Luiz Oliveira.
Segundo o empresário, os volumes de produção vêm crescendo gradualmente. Antes, a marca trabalhava principalmente com delivery. Agora, além da produção, conta também com o consumo no local, aproximando ainda mais o público da experiência artesanal.
Cotovelo une cerveja, memória e território
Outro destaque da ‘Rua da Cerveja’ é a Cotovelo, projeto que nasceu da parceria entre a Cervejaria Búzios, marca conhecida na Região dos Lagos, a Cervejaria Tio Ruy e o empresário Raphael Vidal.
Raphael está à frente de casas como Casa Porto, Bafo da Prainha, Capiau e o restaurante Dois de Fevereiro, que tem João Diamante como chef. Reconhecido por sua atuação na revitalização de espaços degradados, ele também esteve por trás da transformação do Largo da Prainha em um dos pontos mais vibrantes da cidade.
Para o empresário, um bar precisa dialogar com o território em que está inserido.
“Para mim, um bar precisa ter uma relação próxima com seu território, tem que contar a história do local. E a Rua da Carioca é cheia de histórias!”, afirma Raphael.
Segundo Raphael, até o nome Cotovelo nasceu de uma referência histórica. O Bar Luiz, que ajudou a popularizar o chope no Rio de Janeiro, promovia quedas de braço para divulgar a bebida. A partir dessa memória, surgiu a identidade da nova cervejaria.
O cuidado com o passado também apareceu durante as obras. Ao descobrir ladrilhos hidráulicos antigos no imóvel, Vidal decidiu atrasar a inauguração para recuperar os elementos originais.
“A gente precisou recuperar os ladrilhos que se revelaram. Eu valorizo muito descobertas assim, a Cotovelo é como um museu a céu aberto. E a ‘Rua da Cerveja’, um point que une gastronomia, história e cultura”, diz Raphael.
Expectativa é movimentar R$ 222 milhões em quatro anos
Além do impacto cultural e turístico, a ‘Rua da Cerveja’ também carrega uma promessa econômica importante para o Centro do Rio. A expectativa da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico é de que o projeto movimente R$ 222 milhões em quatro anos.
A estimativa inclui a criação de 500 empregos e a geração de uma massa salarial de R$ 41,8 milhões no período.
Para Rafael Aloisio, a iniciativa mostra como a recuperação de uma rua pode representar muito mais do que a abertura de novos bares. A ‘Rua da Cerveja’ surge como um ponto de encontro entre memória urbana, empreendedorismo, produção artesanal e desenvolvimento econômico.
Entre o passado boêmio da ‘Rua da Carioca’ e o futuro das microcervejarias artesanais, o Centro do Rio ganha um novo motivo para ser redescoberto.
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